sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Uma Morte Súbita, J. K. Rowling [Opinião]



 
Título Original: The Casual Vacancy
Autoria: J. K. Rowling
Editora: Editorial Presença
Colecção: Grandes Narrativas, N.º 537
Nº. Páginas: 494
Tradução: Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes & Helena Sobral


Sinopse:

Este surpreendente romance sobre uma pequena comunidade inglesa aparentemente tranquila, Pangford, começa quando Barry Fairbrother, membro da Associação Comunitária, morre aos quarenta e poucos anos. A pequena cidade fica em estado de choque e aquele lugar vazio torna-se o catalisador da guerra mais complexa que alguma vez ali se viveu. No final, quem sairá vencedor desta luta travada com tanto ardor, duplicidade e revelações inesperadas? 


Opinião:

A revolução inicia-se com o anúncio de uma morte súbita. Após traçada essa linha, o burburinho torna-se no som reinante em Pagford, uma comunidade que tanto possui de simples quanto de complexa, e que, numa viragem a descoberto, se vê assolada pela destruição, pela antipatia e pela mesquinhez, mas, acima de tudo, pela realidade palpável que transparece. Muitos são os rostos da violência, os que só se interessam por si, os que buscam uma segunda oportunidade, mas mais importante que isso, são os segredos, as duplicidades, as aparências que, com tanta intensidade, simplesmente iludem...

Uma Morte Súbita não é um romance simples, linear. Não é um romance que se leia de ânimo leve nem um romance para qualquer leitor. Não é um romance de «meios-termos» e, definitivamente, não é um livro que cative nas primeiras páginas, que se folhei com rapidez, com sofreguidão, com desespero. No entanto, é um romance que nada tem a ver com a absolutamente divinal saga Harry Potter mas que, de uma forma algo distorcida e inexplicável, possui o seu quê de especial, o seu quê de mágico no que respeita ao modo como aborda a trama, como elabora as suas personagens, como presta atenção aos detalhes, aos infortúnios, às desgraças. Sem medos, sem complexos, tanto apresenta o que de bom existe no ser humano como, em igual medida, mostra todas as maldades, todas as invejas, todos os egoísmos que transformam esse mesmo ser humano na pessoa que realmente é.
J. K. Rowling é mestra na sua arte. E, embora inicialmente não a tenha reconhecido nesta obra, não a tenha vislumbrado neste texto, ao avançar para o desfecho final, para o colmatar de tantos acontecimentos marcantes e reais, consegui encontrá-la. Porém, o que surpreende é que Rowling nunca deixou de lá estar, nunca se escondeu, nunca fez por passar despercebida... simplesmente mostrou uma outra sua faceta, um seu outro lado maduro, mais perturbador, mais credível, menos... usual.

Se existe livro em que as personagens são a verdadeira essência da história, então sem dúvida de que Uma Morte Súbita é esse livro. Como uma peça de teatro que não sobrevive sem a graça e presença dos seus actores principais, este é um enredo que, de uma forma ou de outra, se centra exclusivamente em torno das várias famílias que povoam a narrativa. O que, por sua vez, se reflecte na fluidez que a própria leitura sente falta. Tratando-se de uma obra sobre pessoas, sobre uma comunidade disfuncional, a atenção recai nas caracterizações e personalidades de cada voz peculiar, descuidando assim a acção repentina e constante que persuade e agarra tanto um leitor experiente como um mero curioso. Porém, é esse lado mais descritivo, menos apressado e mais prudente, ponderado, o estigma que transforma esta numa leitura mais pausada e ousadamente segura.

Outro dos elementos importantes serve de ferramenta que conduz toda a trama, que elabora cada possibilidade, que tece cada destino, e esse cinge-se, claramente, aos vários temas – muitos deles actuais e destrutivos – abordados ao longo da narrativa. Desde o ciúme ao medo, do uso de drogas ilegais à prostituição, do abuso parental à negligência, passando pela pedofilia, pela esperança furtada, pela instabilidade social e política, pela tortura da violação, pelo uso da força, pela traição... este é um romance que expõe, da forma mais crua e cruel possível, todas estas situações e muitas mais. Sem preconceitos linguísticos, sem abandonos de identidade, Rowling escreve aqui, em Uma Morte Súbita, e atinge de tal forma uma sociedade actual que, no meio de uma pequena vila inglesa, nada existe que esconda a realidade, a verdade, dos vizinhos.

Quanto a mim, ainda não sei bem quais os resistentes sentimentos relativamente a esta leitura. Se, por um lado, foi um choque a audácia e coragem da escritora ao não ser convencional, ao ir contra as regras, contra a corrente, por outro, esta não foi uma história que me tivesse cativado, que me tivesse deslumbrado e enamorado como Harry Potter o fez. Não comparar a saga de uma vida com este novo trabalho, é tarefa impossível, pois as trafulhices daquele jovem feiticeiro foram aventuras que acompanharam a minha adolescência e que, em última instância, me permitiram, que fizeram apaixonar por um género que, hoje em dia, persiste em ser o meu favorito – a fantasia. Contudo, embarcar nesta viagem com uma perspectiva Potteriana, com uma esperança mágica, é o maior erro que um leitor poderá fazer – e escrevo-o por experiência própria.

Esta é uma forte aposta da Editorial Presença, num romance perfeito, diferente, interessante e com uma perspectiva peculiar para todo e qualquer leitor que desconheça o mundo encantado de Potter, mas que, de igual modo, poderá seduzir leitores seguidores de Rowling que, de alguma forma, queiram experimentar algo inteiramente novo.

Para mais informações sobre a obra, consulte Uma Morte Súbita

5 comentários:

Dark Tales disse...

Espero que este livrinho venha para casa no Natal, e com a tua opinião ainda fiquei mais entusiasmada

Pedacinho Literário disse...

É como disse, ainda não consigo decifrar bem quais as sensações que ficaram da leitura mas sem dúvida que é um livro moroso e atento ao detalhe. Só nas últimas 100 páginas, por assim dizer, é que o ritmo aumenta. Mas é uma leitura diferente. =)

Vc disse...

Olá :)

Tens um selo à espera no Refém das Letras.

Boas leituras!

http://refemdasletras.blogspot.pt/2012/12/selo-campanha-de-incentivo-leitura.html

Denise disse...

Olá!

Deixei-te um selo no meu blog, aqui: http://quandoseabreumlivro.blogspot.pt/2012/12/campanha-de-incentivo-leitura.html

Feliz Natal :)

Pedacinho Literário disse...

Obrigada Vc e Denise! =)

Boas Festas!

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