domingo, 21 de agosto de 2011

Um Milagre em Nova Iorque, Luanne Rice



Título Original: Silver Bells
Autoria: Luanne Rice
Editora: Quinta Essência
Nº. Páginas: 226
Tradução: Carla Morais Pires


Sinopse:

Christy Byrne é um viúvo que ganha a vida a cultivar pinheiros de Natal no Canadá e a vendê-los em Manhattan. Um dia, o impensável acontece. Christy discute com o filho, Danny, de dezasseis anos. A polícia é chamada e, enquanto Christy é algemado, Danny foge. A viúva Catherine Tierney vê a luta, toma Danny sob a sua protecção, e dá-lhe acesso à biblioteca privada onde trabalha. Passa um ano e Christy regressa a Nova Iorque com a filha de doze anos para vender as suas árvores. Ele e Catherine sentem-se atraídos um pelo outro, mas ela enfrenta um dilema: irá dizer a Christy que sabe onde Danny está a quebrar a confiança do rapaz, ou trair Christy, mantendo o paradeiro do seu filho um segredo? Unidos pela sua preocupação por Danny, Christy e Catherine vão ajudar-se a esquecer os seus passados conturbados e a avançar juntos em direcção ao futuro.


Opinião:

Descobrir a escrita de Luanne Rice é como abrir as portas do coração a uma história que sabemos, à partida, ter o dom de nos comover e emocionar. Posso não estar muito familiarizada com as criações da autora mas de uma coisa não tenho dúvida, Luanne Rice nasceu para escrever... e é para mim uma felicidade ter a oportunidade de folhear mais um dos seus romances.
Um Milagre em Nova Iorque é um autêntico mimo que apetece guardar eternamente na estante e bem junto do peito. Uma história de amor apaixonante e compassiva, que apela à empatia do leitor, fazendo-o relacionar-se de forma quase íntima com os problemas, infelicidades e alegrias que perfazem as vidas de tão espectaculares personagens.

O enredo é perfeito na sua simplicidade e abordagem sentimental. Pegando num drama familiar intenso e prestes a atingir proporções incontornáveis, Luanne Rice dá vida a personagens profundas, reais e extremamente emotivas, permitindo-lhes deitar para fora tudo aquilo que são e tudo o que de mais belo precisam – ou seja, um milagre.
O cenário é incrível e simplesmente maravilhoso. Acredito que a autora não poderia ter escolhido um melhor e mais adequado local por forma a retratar uma época natalícia não só recheada de memórias familiares e espírito solidário como também de um símbolo de riqueza seu inerente, aqui retratado na pele de um pai filantropo e de um filho subconscientemente cego. A Big Apple pode ser conhecida como a cidade onde todos os sonhos podem alcançar proporções reais, contudo, Nova Iorque tem, de igual modo, um lado mais humano e mágico que é muitas vezes esquecido – ou, talvez, unicamente lembrado quando o Natal bate à porta. Mostrando uma faceta diferente e até parcialmente mística da cidade que nunca dorme, a autora surpreende e agarra o leitor do primeiro momento de separação até à possível reunião continuamente esperada.

As personagens que dão vida a este livro são do mais encantadoras possível. Christy enternece o leitor ao revelar-se um pai preocupado em encontrar um filho fugido, Catherine apela à compreensão ao mostrar-se magoada e revoltada para com Deus uma vez que este lhe levou a pessoa que mais amou em toda a sua vida mas, é quando ganha um novo e à tanto desejado brilho, que ela verdadeiramente expõe toda a sua potencialidade enquanto protagonista feminina. Depois temos Bridget, uma jovem a entrar na adolescência que anseia por um vislumbre do seu irmão mais velho, Danny que, embora inicialmente incompreendido, é capaz de tudo pela segurança da família, Lizzie, uma melhor amiga incondicional e Lucy, uma criança cuja inocência transmite uma amplíssima alegria a todos os que a rodeiam.

Alguns dos temas relatados neste romance apelam não só à consciência do leitor como à sua sensibilidade. Em Um Milagre em Nova Iorque, estamos perante um conflito familiar vivamente enraizado e que serve de mote a toda uma série de coincidências, encontros e circunstâncias ora tanto aguardadas como, por vezes, seriamente desesperantes. A realidade assenta que nem uma luva numa perspectiva meramente ficcional e é inquietante a forma como esta se desenrola quando, em grande parte, parece ser incapaz de construir um final feliz que vá de encontro à celebração natalícia que o livro tão belissimamente descreve e enquadra. A solidão, o perigo e inconstância de se viver do “nada” e na rua, a tristeza que cobre um pai quando perde um filho para o total desconhecido, a angústia que revolta e petrifica uma mulher ao perder o homem que tanto amou e que continua a amar e a constante procura por um pedaço de felicidade e paz, por mais pequeno e curto que seja, perfazem de Um Milagre em Nova Iorque um romance envolvente, quente e muito, muito apreciado.

Não sei se é uma característica comum a todos os trabalhos da autora – uma vez que, até hoje, ainda só li um outro romance de Luanne Rice, Espero por ti este Inverno – mas notei uma certa aproximação com a natureza que, certamente, não passa despercebida. Quase que se podia sentir a enormidade do espaço aberto do céu ou o cheiro a pinheiros e a árvores de natal. Recordo-me de, no romance anterior que li da autora, esta componente ser praticamente uma parte integrante da narrativa e embora, em Um Milagre em Nova Iorque, tal não ser tão pronunciado, foi igualmente uma agradável surpresa deparar-me, novamente, com uma abordagem mais natural, pura e algo citadina das pequenas grandes coisas que nos envolvem e às quais, muitas vezes, não damos o seu devido valor.

Com uma escrita rica, atenta ao pormenor e extremamente centrada no desfolhamento das emoções e sensações sentidas pelas personagens e presentes nas viragens que lhes surgem no caminho, Um Milagre em Nova Iorque trata-se de um romance sobre segundas oportunidades, que identifica a importância de não nos fecharmos enquanto pessoas individuais e de sermos capazes não só de auxiliar o próximo como de ter coragem em pedir ajuda quando necessário. Acima de tudo, este livro mostra o quão essencial é dar-se valor e apoio ao que temos, à família e aos amigos e também que, mesmo quando tudo parece impossível e demasiado negro, há sempre uma luz ao fundo do túnel, um pouco de esperança pela qual vale a pena ser batalhada.
Uma escritora magnifica com mais um romance comovedor e deliciosamente aliciante, fresco para uma tarde quente de Verão. Uma forte aposta Quinta Essência, que certamente não deveria de deixar passar ao lado.

4 comentários:

Liliana Lavado disse...

Ainda não tive oportunidade de ler nenhum livro desta autora mas a ideia que tenho das histórias dela condiz na perfeição com escreveste :)
Quem sabe, talvez vá ser este livro a minha estreia ;)

Pedacinho Literário disse...

E seria uma excelente estreia, Liliana. :)

Ines disse...

Tenho de ler tenho de ler :D

Pedacinho Literário disse...

Pois tens, Inês :)

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