domingo, 21 de março de 2010

Se Eu Ficar, Gayle Forman


Título Original: If I Stay
Autoria: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras
Nº. Páginas: 215
Tradução: Rita Graña

Sinopse:

Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade: permanecer junto da família, do namorado e dos amigos ou deixar tudo e ir para Nova Iorque para se dedicar à sua verdadeira paixão, a música. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. À medida que os paramédicos a transportam dos destroços quase irreconhecíveis do automóvel para o hospital e a tentam reanimar, Mia nada mais pode fazer que observar toda a cena, de fora do seu corpo. Nas vinte e quatro horas que se seguem e que talvez sejam as suas últimas, a jovem relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.

Opinião:

Emotivo.
Simples.
Criativo.
Memorável.
São estas as palavras-chave que definem o conteúdo deste fabuloso livro.

“Não sei ao certo o que se passou comigo e, pela primeira vez hoje, não me interessa. Eu não devia ter de me interessar. Não devia ter de esforçar-me tanto. Percebo agora que morrer é fácil. É viver que é difícil.”

Quando iniciei esta leitura, não estava certa de ser a mais adequada ao meu estilo. Passando por um período algo negro relativamente a leituras, com imensas quebras e mudanças de livro, decidi pegar neste em particular com uma intenção muito específica: acalmar a minha mente e deixar-me embarcar numa viagem muito mais suave e serena. Enganei-me. Este livro não tem nada de suave e sereno. Dizem que é uma história dirigida a um público mais juvenil, talvez o seja, mas na minha opinião, qualquer adulto a pode ler e de certo que irá adorá-la nem que seja pela forte e implacável mensagem que o livro traz consigo.

A história é muito simples. Mia é uma jovem de dezassete anos com um futuro muito promissor. Desde muito cedo desenvolveu uma imensa paixão pela música (algo que lhe corre nas veias, é de família) com a excepção de o seu estilo de eleição ser a música clássica e o instrumento o violoncelo. Foi essa paixão que a levou a conhecer Adam, o seu namorado e que é também músico, e a criar uma amizade especial com Kim, a sua melhor amiga.
Numa certa manhã de Fevereiro, quando toda a família se reúne para ir dar um passeio, um terrível acidente ocorre que mata ambos os seus pais e o irmão mais novo, deixando Mia “sozinha” no mundo. Debatendo-se contra um coma profundo, Mia tem agora de decidir se quer viver ou se prefere morrer. E é nisso que se foca a narrativa, nos pensamentos de Mia enquanto vagueia fora do seu corpo adormecido e traumatizado e de alguns episódios que ela recorda, durante essas vinte e quatro horas em que está desalojada do seu corpo, episódios esses que remetem para os melhores e menos felizes momentos que passou tanto com a sua família como com Kim, Adam e o seu estimado violoncelo.

É-me muito difícil apontar aspectos negativos neste livro, provavelmente porque apesar de o ter terminado ontem à noite, sinto-o ainda muito presente em mim. Foi uma história que me tocou profundamente, por abordar aspectos tão elementares da nossa vivência aqui na Terra mas que nós, enquanto seres humanos, simplesmente os esquecemos ou os tomamos como garantidos.
O tema da perda sempre foi algo que me comoveu e nem neste livro consegui evitar largar umas quantas lágrimas. Tanto que não é só da perda que se fala mas de outros sentimentos igualmente intensos, incluindo um que eu acho deveras importante, o amor. Condicional e incondicional. O amor por tudo. Pela música. Pela Arte. Pela família. Pelos amigos. E por uma pessoa que se torna tão especial para nós, que no caso de Mia é Adam, ao ponto de nos fazer tomar decisões que podem despoletar a mais violenta das dores.

Não posso deixar de recomendar este livro, nem que seja para se tomar consciência do que verdadeiramente importa na vida. De certa forma, foi um livro que me mudou. Que me tocou. Que me transformou numa pessoa diferente e me fez perceber que muitas das coisas erradas que fiz podem ainda ser remediadas, enquanto eu e aqueles que foram afectados permanecermos vivos, porque depois disso, mais nada interessa. E a vida é curta. Imprevisível. Que de um momento para o outro pode simplesmente acabar. 

4 comentários:

Diana Barbosa disse...

Que bom saber que gostaste do livro :D

Beijinhos

Diana
Refúgio dos Livros

B. disse...

Olá Patrícia!

Que opinião mágnifica! Fiquei ainda com mais vontade de ler este livro! :)

bjinhs

Devorador de Livros disse...

Patricia,
Mas que opinião tão tocante!! Li com o fôlego suspenso até à última palavra que termina em grande verdade! Também irei ler este livro, vou já acrescentá-lo à minha wishlist.
Desde já, obrigado por seres a primeira pessoa a seguir o meu blog que ainda está muitissimo "fresco". :)
Voltarei.
Um abraço e continuação de boas leituras!


Ana Raquel Leitão
disse...

Olá, Patrícia

Estou de volta do teu blog e digo-te que me estás a deixar curiosa com algumas das tuas sugestões:-)

Este livro é um desses!
Um bj.
Ana Ra.

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