segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Floresta Mecânica, Robison Wells [Opinião]





Título Original: Variant
Autoria: Robison Wells
Editora: Planeta Manuscrito
Nº. Páginas: 328
Tradução: Catarina F. Almeida


Sinopse:

Benson Fisher pensou que uma bolsa para frequentar a Academia Maxfield seria o seu passaporte para uma vida com futuro. Estava enganado. Agora, vive num colégio cercado por uma vedação de arame farpado. Um colégio onde câmaras de vigilância monitorizam todos os seus movimentos. Onde não há adultos. Onde os alunos se dividiram em grupos para sobreviver. Onde a punição por violar as regras é a morte. Mas, quando descobre, por acidente, o verdadeiro segredo do colégio, Benson percebe que cumprir as regras poderá trazer-lhe um destino pior do que a morte, e que a fuga – a sua única esperança de sobrevivência – talvez seja uma missão impossível.


Opinião:

O talento para a escrita é algo que corre na família Wells, disso não me restam dúvidas! Ainda me recordo de ter absolutamente adorado Não Sou Um Serial Killer, de Dan Wells muito antes de me debruçar sobre esta Floresta Mecânica, e vir a descobrir que estes dois escritores maravilhosos são, na verdade, irmãos, não só foi surpreendente como também divinalmente refrescante, na medida em que, com estilos tão distintos e únicos, é uma surpresa deliciosa constatar que tanto um como o outro me fizeram apaixonar pelas suas histórias, mundos comuns e personagens singulares. Estão a ver aqueles livros que ocupam um lugar especial na estante porque simplesmente não os conseguimos parar de ler? A Floresta Mecânica faz parte desse leque restrito de títulos ao apresentar uma narrativa de leitura impulsiva e reviravoltas constantes.

Não sei dizer ao certo o que foi que tanto me atraiu para este livro em particular, mas assim que o comecei a folhear e a embrenhar-me na sua história, não mais me foi possível pensar noutra coisa que não nas imagináveis soluções para os problemas de Benson. No entanto, uma coisa é certa—há que gostar de Benson enquanto protagonista, pois embora o enredo seja misterioso e expectante desde o principio, se tal não acontecer, se o leitor não estiver interessado em descobrir o porquê de esta personagem tanto querer fugir, tanto querer a sua vida de volta, então a leitura de nada lhe valerá.
Penso que foi muito inteligente da parte de Wells escolher, como pano de fundo da acção, um cenário extraordinariamente restrito e limitado, em vez de seguir os passos de tantos outros escritores do género e aventurar-se na criação de um universo completamente novo e disfuncional. Assim, ao poder concentrar-se na idealização perfeita do ambiente opressivo e estranhamente bizarro que se vive na Academia Maxfield, Wells permitiu ao leitor embrenhar-se num local repleto de segredos e superficialidades, onde nem tudo é o que parece, e onde muito se encontra por explicar. O facto de existirem câmaras de vigilância em cada esquina e um conjunto de alunos que segue as directrizes de vozes anónimas e que tenta, igualmente, implementar a ordem no restante grupo estudantil que se vê desprovido de uma figura adulta e conselheira, vem somente acrescer ainda mais dúvidas a uma já de si bastante avultada quantia de perguntas.

Em Maxfield existem três grupos, três tipos de alunos que se associam entre si consoante os seus interesses—os que tomam conta de tudo e são responsáveis por corrigir o que está mal, os que tiram prazer em destabilizar o que já de muito frágil existe na escola, e os que não são nem uma coisa nem outra. Benson é um Variante e, nesta história, Variante significa ser não outra coisa que ele mesmo. Ele sabe que algo de profundamente errado se passa em Maxfield e ao qual nem os próprios alunos estão imunes, e rapidamente se apercebe de que não poderia ter tomado pior decisão de que a de ter aceite a bolsa para ingressar na Academia. Mas que segredos se escondem nas profundezas de Maxfield?
Gostei imenso de Benson. Para mim, é o perfeito tipo de personagem masculina que impulsiona à leitura. Ele é curioso mas tem plena consciência dos seus limites, é forte mas também deveras protector, e, acima de tudo, não tem medo de ir contra tudo e todos se, no seu pensamento, tal for a atitude mais correcta a seguir. Talvez seja por isso que é ele quem mais surpreendido fica com a descoberta final. Talvez seja por isso que aquele sentimento de incerteza, de desconfiança presente deste o início, tenha sido o indício, a voz interna que nunca o permitiu desistir.

O melhor trunfo deste livro é, sem dúvida, a escrita simples e o ambiente tenebroso e desconcertante que Wells criou. Não estava, de todo, à espera de um tal desfecho. Sempre soube que A Floresta Mecânica se tratava de uma obra distópica, mas nada me poderia ter alguma vez preparado para todas as perguntas, e todas as dúvidas, e todo o nervosismo que acompanharam a leitura. E o que mais me fascinou em toda a história foi o pormenor de sempre que pensava finalmente saber o que se estava a passar e acreditar que mais nada me poderia surpreender, bamb!, nova reviravolta! O desfecho foi de morte. Que final em aberto. Que tortura para uma leitora ávida como eu!
A Floresta Mecânica é uma leitura espectacular e o tipo de livro que deixa muitas portas em aberto para o que poderá vir a ser desenvolvido na continuação. Ainda não tive o prazer de ler Feedback, mas somente posso esperar que Wells tenha escolhido os caminhos certos a percorrer e que, de uma forma ou de outra, me deixe ainda mais abalada. Uma brilhante aposta da Planeta Manuscrito, ideal para todos os aficionados por distopias juvenis. Adorei.

4 comentários:

André Nuno disse...

Olá.
Terminei a leitura de Não Sou um Serial Killer há pouco e também gostei bastante. Nos agradecimentos que Dan Wells faz no final da obra dirige um deles ao irmão, que referencia também como escritor. Parece que o talento corre nas veias daquela família!
Gostei da tua opinião e fiquei muito interessado neste livro e no mano Robinson!
Boas leituras.

Vera Neves disse...

Olá :)

Tenho um selo para ti no meu blog

http://sinfoniadoslivros.blogspot.pt

Beijinhos

Marta Dias disse...

Olha deixei-te um selinho em ionlyhave.blogspot.com

Pedacinho Literário disse...

Thank you, girls. =)

Oops, por acaso tenho por hábito ler os agradecimentos mas nesse livro em particular deve ter-me escapado. Confesso que só soube, até algo recentemente vá, que eram os dois irmãos... e acho isso absolutamente genial pois escrevem os dois de forma e sobre géneros tão diferentes que se torna algo impossível não gostar dos dois. =)
Thumbs up para este, muito giro e diferente, também com um protagonista masculino, algo que vai um pouco contra a corrente actual.

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