sábado, 15 de dezembro de 2012

Milagre de Amor, Eloisa James [Opinião]




Título Original: When Beauty Tamed the Beast
Autoria: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Nº. Páginas: 368
Tradução: Maria Manuela Novais Santos


Sinopse:

Se ao menos o vestido de Miss Linet Berry Thrynne não tivesse sido tão decotado, ou ela não tivesse sido apanhada a beijar aquele príncipe...
Mas agora que todos pensam que Linnet está grávida do príncipe – e, por isso, ninguém a irá desposar – mais vale ela dar uma alegria ao seu pai desesperado e consentir casar com uma «besta». Um cirurgião brilhante, com reputação de perder a paciência – e uma ferida que se julga tê-lo deixado... incapaz – Piers, conde de Montague, deve receber de braços abertos uma futura noiva que tem já no ventre um herdeiro de sangue azul. Mas Piers não se deixa enganar pelo subterfúgio da senhora, e apesar de Linnet ser diabolicamente inteligente e encantadora, com uma beleza que ofusca o Sol, não haverá casamento da bela com o monstro. No entanto, Linnet acha o belo homem intrigante, e é óbvio a olho nu que «incapaz» não significa «desinteressado»...


Opinião:

Dizem os contos de fadas que tudo começa com um elegante e misterioso «Era uma vez...». E por entre as verdejantes paisagens de um lindíssimo País de Gales antigo, um príncipe que tanto tem de encanto quanto de arrogância, teme a chegada de uma desafortunada jovem, dona de uma beleza sem fim, e que no ventre (supostamente) carrega a próxima ilegítima linhagem de sangue azul. Mas quando o casamento não é desejado por ambas as partes, e uma lesão supersticiosa embala o seu dono num constante mau humor, talvez «... e viveram felizes para sempre.» não seja um desfecho fácil de alcançar.

Milagre de Amor trata-se de um romance absolutamente enternecedor, dotado de um poder estrondoso na medida em que conjuga, na perfeição, o que de mais divertido e romântico existe na literatura feminina. Pegando numa das mais belas histórias de sempre, e conferindo-lhe um toque ultra moderno – na sua componente histórica – e bastante carismático ao conferir uma personalidade eximiamente insolente à personagem que protagoniza o monstro, enquanto a própria bela guarda em si características do mais simples e harmonioso possível, esta é claramente uma narrativa atraente que regalará até o mais exigente dos leitores.
Eloisa James é mestra no seu género, altamente reconhecida e apreciada pelas histórias que cria, e embora, para mim, os seus outros dois romances publicados em terras lusas careçam de algo, de uma qualquer componente que lhes dê mais vida, mais entusiasmo, mais diversão, em Milagre de Amor tudo o que estava em falta encontrou, e em pleno, a luz do dia.

Se houve um elemento, neste enredo, que me agradou sobremaneira, esse foi, sem dúvida, a complexidade das personagens. James, nesta sua peculiar e excêntrica versão de A Bela e o Monstro, apresenta um casal protagonista dotado de uma inteligência sem igual e de um sentido de humor, no mínimo, audaz. De um lado, temos um cavalheiro pouco galante, que respira e destila medicina, que preza a sua solidão, o seu espaço, e que não vê qualquer necessidade – ou utilidade, por sinal – numa constante presença feminina ao redor da casa. Do outro, temos Linnet, uma menina de bem que se viu subitamente nos braços do homem errado, estando agora sem mãos a medir para as consequências que o seu envolvimento precipitado despertou. Ambos são intelectualmente perspicazes e nem Piers nem Linnet têm papas na língua, e é essa ligação tão harmoniosa, tão singular, que os torna perfeitos um para o outro. Para além da enorme parecença de Piers com o famosíssimo Dr. Gregory House da série House, M.D., saliento ainda Sébastian, uma personagem extremamente cómica e cujas picardias em torno de Linnet se transformam em reais momentos de diversão.

Relativamente aos cenários, o País de Gales é uma beleza por si só e detentor de uma voz muito forte e própria. As paisagens circundantes ao castelo de Piers e a piscina oceânica, construída no meio de um rochedo, são puras visões idílicas. Em termos narrativos, penso que a excelência dos locais de acção em muito serviram para enriquecer os acontecimentos ocorridos, nomeadamente a pequena casota do guarda erigida entre a piscina e o castelo, que em muito serviu os propósitos das suas personagens e ocasionais habitantes.
Quanto a mim, todas as componentes citadas foram um autêntica doce aquando da leitura, com a única adição de um humor tão no ponto, tão certeiro, que por diversas vezes dei por mim a rir às gargalhadas e a reler certas passagens ou certos diálogos. Penso que James conseguiu, com este romance, alcançar um patamar – no meu gosto! – que até então, apesar de apreciar as suas histórias, se mantinha fora do seu alcance.

Uma excelente aposta por parte da Quinta Essência, numa autora que se prevê vir a ser adorada por um grande leque de leitoras que não serão capazes de abdicar do encanto e da singularidade das suas histórias. Uma perspectiva, uma faceta bem mais divertida e espirituosa de Eloisa James. Gostei bastante.

5 comentários:

Ray* disse...

Querida, quero muito ler este livro :)))

e deixei-te selinho: http://desejosdealma.blogspot.pt/2012/12/selo-campanha-de-incentivo-leitura.html

Pedacinho Literário disse...

É um livro muito giro, Ray. Tens mesmo de o ler! Para mim, o melhor dos três que a autora tem publicados até ao momento, por cá. =)
Obrigada pelo selinho!*

Teresa Araújo disse...

Bom tarde :)

tenho um selinho para ti lá no Romances de Mesinha-de-Cabeceira!!

Teresa Araújo
http://romances-de-mesinha-de-cabeceira.blogspot.pt/

Beijinhos!

Clarinda disse...

Eu ainda só li o primeiro desta autora e foi nim. Mas tenho este e vou dar nova oportunidade, dizem que é melhor.
Boas Festas Pat

Pedacinho Literário disse...

Como te entendo, Clarinda. Li os outros dois da autora e fiquei como tu, com um grande nim, mas depois dei uma oportunidade a este e... fui totalmente surpreendida!
Boas Festas ;)

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