quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Frankenstein - O Filho Pródigo, Dean Koontz



Título Original: Frankenstein – Prodigal Son
Autoria: Dean Koontz
Editora: Contraponto
Nº. Páginas: 301
Tradução: Susana Serrão


Sinopse:

Cerca de 200 anos depois de ter criado o seu monstro, Victor Frankenstein (agora conhecido como Victor Helios), instalou-se em Nova Orleães. A sua investigação e as suas experiências estão cada vez mais sofisticadas, já não tem de roubar cadáveres em cemitérios para construir as suas criaturas, e desenvolveu uma tecnologia que lhe permite escapar ao envelhecimento. O seu plano consiste em propagar por Nova Orleães espécimes da sua Nova Raça de criaturas perfeitas, destinadas a exterminar e a substituir os «imperfeitos» seres humanos.
A única criatura capaz de travar este plano diabólico é o misterioso Deucalião – o primeiro «monstro» criado por Frankenstein. Aparentemente imortal e indestrutível, Deucalião parece possuir também uma alma e uma consciência quase humanas. Mas será isso suficiente para impedir os planos do seu monstruoso criador?


Opinião:

Não sendo grande apreciadora da literatura de terror – pelo simples facto de estar constantemente a deitar um olhar sob o ombro – foi com receio e alguma expectativa que iniciei a leitura deste fabuloso Frankenstein – O Filho Pródigo, contudo, foi aturdida e simplesmente aterrorizada com que a terminei. O pânico e o medo são dois dos elementos de maior destaque presentes ao longo da obra e embora, aquando da leitura, esse terror possa parecer um pouco camuflado ou sem grande potencialidade a verdade é que, de toda a vez que o livro é colocado de lado, o assombro e o perigo instalam-se, nomeadamente ao reflectir nas variadas situações escabrosas belissimamente descritas por Dean Koontz, e será esse frenesim e instabilidade interna que incitará o leitor a descobrir cada segredo, cada desumanidade e cada acção/consequência existentes em Frankenstein.

Há quem diga que a perfeição não existe. De facto, nos dias de hoje e no mundo em que vivemos, a perfeição é, na verdade, algo que não persiste, algo imutável e claramente pessoal. No entanto, para Victor Frankenstein – ou, mais recentemente, Victor Helios – a perfeição é algo não só alcançável como possível, principalmente por que, para todos os efeitos, foi das suas mãos, do seu conhecimento e do seu profundo e intenso estudo (e experiências) que Victor conseguiu atingir um patamar até então impensável. Ao fim de muitos, muitos anos de investigação e provas refutadas, Victor conquistou – finalmente – uma posição de destaque que não só lhe permite avançar a largos passos na sua mais recente demanda – e na propagação da Nova Raça – como, de igual modo, ter oportunidade de experienciar todo um diferente e espectacularmente horripilante novo nível de “vida”.

Foi também do entendimento de Victor “Frankenstein” Helios que saiu Deucalião. Um «monstro» intelectualmente desenvolvido que, ao longo do tempo, foi expandindo uma consciência quase humana que lhe permite sentir, discernir o certo do errado e saborear o amargo gosto da vingança para com um pai que julgava morto há décadas. Será na perspectiva de Deucalião que o leitor irá tomar conhecimento de algumas das atrocidades passadas pelo mesmo, ao livre arbítrio das decisões levadas a cabo por um Victor despreocupado e ambicioso.

Para além de Deucalião, o leitor trava ainda conhecimento com Randal Seis – um jovem parcialmente autista e que nasceu com dezoito anos, que procura a felicidade no sorriso de uma criança igualmente sofredora da doença –, Erika Quatro – posterior a Erika Três e inferior a Erika Cinco (que também já se encontra em fase de armazenamento) e actual esposa de Victor Helios que, sem totalmente se aperceber, começa a desenvolver uma certa humanidade e sensibilidade imprópria da sua espécie – e um assassino desconhecido e ausente que faz da sua descoberta incompreendida e totalmente impulsiva a morte de outros elementos da Nova Raça. Fora uma cabeça e uma mão que, mesmo sem qualquer outra parte do corpo em contacto, mantém uma ligação entre si, estes prodígios da ciência são os elementos principais que influenciam a trama com as suas acções inesperadas e que a conduzem por caminhos imprevisíveis e, por vezes, subitamente acidentais. A acompanhar temos um par invulgar mas super divertido de detectives, Carson e Michael, que, de certo modo, aliviam um pouco a tensão constante presente ao longo da narrativa e um assassino a sangue frio, o Cirurgião, que, para além de procurar a mulher ideal em partes físicas de outras mulheres, faz ainda tudo ao seu alcance para afastar o envelhecimento e, consequentemente, a morte.

Numa trama surpreendentemente imprevisível, recheada de surpresas e acidentes de percurso, Dean Koontz dá vida a uma série de personagens robustas, intrigantes e tenebrosas, nas quais recai o foco principal da narrativa. Os monstros da Nova Raça são de arrepiar e até mesmo os humanos, de um só coração, conseguem, por diversas vezes, deixar o leitor com pele de galinha. Fazendo ainda uso de uma linguagem rica, terrificamente voluptuosa e quase cinematográfica, Frankenstein apresenta-se como um excelente exemplar do terror no seu estado mais puro e extraordinário, deixando a questão no ar: será Nova Orleães capaz de sobreviver aos mais aterradores planos de Victor Frankenstein?

Frankenstein – A Cidade das Trevas foi já anunciado pela Contraponto e conta com lançamento agendado para o início do próximo mês de Setembro... conseguirá resistir? Eu cá sei que não!

4 comentários:

Rita disse...

Estava com bastante curiosidade em saber o que tinhas achado deste livro. Gostei bastante da tua opinião e do facto de afirmares que as descrições são de tal forma fantásticas que quase sentias as emoções da personagem, gosto quando tal acontece. A tua opinião foi um empurrão para também eu adquirir o livro. :)

Beijinhos*

Pedacinho Literário disse...

Olha que vale bem a pena, Rita. :)
É um livro diferente e extremamente complexo. Muito interessante. :)

Beijinhos

Jacqueline' disse...

Li Frankenstein e gostei bastante. Normalmente sou receosa com livros que partem de clássicos da literatura, mas este não me parece mau de todo..

Elphaba J. disse...

Tu sabes a minha opinião! Adoro! :D

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