terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Viver Sem Ti, Jorge Bucay e Silvia Salinas



Título Original: Seguir Sin Ti
Autoria: Jorge Bucay e Silvia Salinas
Editora: Pergaminho
Nº. Páginas: 197
Tradução: Maria Lucília Filipe


Sinopse:

Irene é uma prestigiada terapeuta de casais que dedicou toda a sua carreira a investigar os mecanismos do amor e a ajudar os seus pacientes a recuperarem a autoconfiança após uma separação. A sua vida familiar e pessoal, aparentemente organizada e tranquila, vê-se virada do avesso no dia em que (ignorando o sábio conselho da sua avó Justina, que dizia «não procures onde não deves, porque podes encontrar o que não queres») descobre, no bolso do casaco do seu marido Luís, a factura de um quarto de hotel em que ele esteve... com outra mulher.
A partir desse momento, Irene inicia um processo que tantas vezes ajudou os seus pacientes a encetar: o da separação, da aceitação de que a sua relação com Luís chegou ao fim. Prepara-se então para partir em busca de um novo amor, um caminho que a leva à autodescoberta e ao reconhecimento do seu poder de escolha.
Com inteligência, sabedoria e muito sentido de humor, os autores do best-seller internacional Amar de Olhos Abertos apresentam ao longo destas páginas a chave para escutar o coração e descobrir a autenticidade nas relações amorosas.


Opinião:

Aventurei-me neste livro por um lado um pouco à procura de respostas para muitas perguntas intimamente formuladas mas, também, algo deslumbrada pela descoberta da progressiva aprendizagem por parte de uma mulher que, de um momento para o outro, após família construída e vida aplacada, se vê subitamente colocada de lado pelo único homem que julgou alguma vez ser capaz de amar (e ser amada por) e, acima de tudo, obrigada a reconstruir toda uma experiência adquirida por hábitos e costumes de uma já de si adulta vivência.

É assim que entramos no consciente de Irene, uma aclamada terapeuta de casais que busca ajudar os seus vários pacientes não só a encontrarem uma nova via no seu amor (seja renovando-o ou partindo à procura de um novo) como também a reencontrarem-se em si mesmos, em primeiro lugar. O que Irene não está, de todo, à espera é que aquilo que toma como sendo a sua profissão, o apoio que presta aos seus fiéis pacientes, encontrando sempre respostas e caminhos ainda por percorrer a todas as questões e problemas dos seus seguidores pudesse, através de uma situação inesperada e incontrolável, transformá-la numa doente de si mesma, enveredando assim por longas estradas em que tanto se martiriza no papel de terapeuta como se deixa levar pelos normais e arriscados erros de paciente. Esta dualidade é, para o leitor, o sumo deste livro. Desse modo, quem lê o seu pensamento dúbio e percorre os diálogos e os lentos progressos de um amor que dificilmente se vê terminado e, sem dúvida, esquecido, vê-se confrontado não só com a vida ficcionada de uma personagem de um livro como também com uma ligação directa ao seu próprio e único subconsciente e às suas memórias por forma a estabelecer semelhanças e a solucionar problemas inacabados.
Penso que, quem se deixar levar pela história maravilhosamente contada pela voz interna de Irene, vai encontrar neste livro não só uma narrativa de ficção como, e esta será a parte mais importante, uma lição real acerca do amor, do comodismo, das diferenças entre os dois parceiros num casal, da aceitação pessoal e, numa mensagem final, no amor que primeiro tem de vir de nós e que só depois podemos pensar em procurar e, quem sabe, encontrar no outro. Viver Sem Ti não é uma obra que demonstra o negativismo, o ciúme e a dor que é viver sem alguém mas sim a felicidade, o sentir-se completo e o encontrar algo mais que é viver tanto com como também sem alguém.

Foi uma leitura que, apesar de algo demorada, me agradou bastante pela surpresa em que acabou por se tornar. Sim, encontrei algumas respostas e deixei que eu mesma formulasse mais umas quantas questões que, enquanto boa ouvinte e boa leitora deste livro, irei, tal como Irene me teria feito fazer, tentar solucionar sozinha. Uma narrativa mais de (auto)reflexão que de divertimento ou fluidez de páginas mas que, por assim o ser, não deixa de fazer o leitor esboçar um sorriso ou encontrar uma profundidade implícita no seu amontoar de palavras.
Gostei. 

1 comentário:

Elphaba J. disse...

Parece interessante :)

Beijinhos*

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